Base na Antártica será reconstruída

Ministro da Defesa, Celso Amorim, lamenta morte de dois militares em incêndio na Estação Comandante Ferraz, e diz que ela será refeita

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Os 41 passageiros, entre militares e pesquisadores, que trabalhavam na base incendiada da Marinha no último sábado, na Antártida, desembarcaram na madrugada de hoje no Rio de Janeiro. O grupo era formado por 26 pesquisadores, 12 operários do arsenal da Marinha, um alpinista, um funcionário do Ministério do Meio Ambiente e um militar ferido – o primeiro-sargento Luciano Gomes Medeiros –, de acordo com a Marinha do Brasil.  

O voo saiu de Punta Arenas, no Chile, na tarde de ontem, para onde os brasileiros foram transportados pela Força Aérea da Argentina. Antes de aterrissar na Base Aérea do Galeão, na Ilha do Governador, a aeronave fez uma parada em Pelotas. Três pesquisadores da Unisinos, de São Leopoldo (RS), e um funcionário de Ibama desembarcaram na cidade.  

Segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, os corpos do suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e do sargento Roberto Lopes dos Santos, mortos durante o incêndio, devem chegar ao Rio de Janeiro somente amanhã (28).  

Leia reportagens da revista Terra da Gente produzidas durante viagem à região da Estação Antártica Comandante Ferraz em 2005, pelas jornalistas Liana John, Cristina Maia e Carlos Alberto Coutinho. ("Viagens inesquecíveis"; "No limite", "Clima x vida").

A Marinha do Brasil afirmou em nota, ontem, que 70% das instalações da Estação Antártica Comandante Ferraz foram destruídas. Todo o prédio principal da base, onde ficavam o alojamento e alguns laboratórios de pesquisa, foi atingido pelo fogo. Ficaram intactos os refúgios – módulos isolados usados apenas em emergências – e os laboratórios de meteorologia, de química e de estudo da alta atmosfera, assim como os tanques de combustíveis e o heliponto.  

Celso Amorim afirmou, ainda no sábado, que a Estação Antártica será reconstruída em dois anos. Segundo ele, arquitetos serão contratados pelo governo federal para elaborar o projeto da nova base da Marinha na região. “Ela [a base] vai ser refeita dentro de dois anos. O programa completou 30 anos agora e tem pesquisas da maior valia para o Brasil e para o mundo sobre biologia marinha, sobre estudo do gelo, mudança climática e sobre as cadeias alimentares”, afirmou o ministro, no Rio de Janeiro.  

De acordo com Amorim, todo material de pesquisa foi destruído pelo fogo. “O material obviamente se perdeu e vai levar um tempo, como sempre acontece nesses casos. O equipamento também se perdeu. Todo o núcleo central da base, onde estão concentrados esses equipamentos, instalações, foi perdido. O grau exato do que ocorreu terá que ser objeto de perícia, mas avaliação é de que perdeu-se praticamente tudo”, afirmou.  

O ministro destacou que o projeto de pesquisa é "motivo de orgulho" e tem o apoio da presidente Dilma Rousseff para continuar.  

'Momento de dor'  

Para Celso Amorim, os dois militares brasileiros que morreram no incêndio foram "heróis". "Lamentamos as duas mortes por atos de heroísmo. Eles estiveram na área de maior risco, que foi justamente onde originou o incêndio, na tentativa de debelar e não conseguiram', disse. Segundo o ministro, "o momento é de dor pela perda das vidas".
 

O incêndio ocorreu, segundo a Marinha, no local onde ficam os geradores de energia da Estação Antártica Comandante Ferraz, por volta das 2h (horário de Brasília) do sábado.


 

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