Expedição no Tapajós

O trabalho de levantamento e pesquisa e a beleza que pode ser destruída com a construção de hidrelétricas na amazônia

16/12/2011 - 09:48

Terra da Gente

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No programa Terra da Gente deste sábado (17), você está convidado para participar de uma expedição científica no Parque Nacional da Amazônia (PNA). Nesta viagem, os pesquisadores realizam o levantamento da fauna na região do rio Tapajós, onde serão construídas usinas hidrelétricas. Progresso e conservação, será que é possível? Os repórteres do Terra da Gente foram conhecer um dos rios mais bonitos da região amazônica, o Tapajós. Uma beleza ameaçada pelos lagos das barragens que vão atingir várias reservas, entre elas o PNA. Parque onde a vida animal sempre é surpreendente. A expedição parte de Pirassununga, cidade do interior paulista. No parque, ganha o apoio de helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O objetivo da missão é minimizar o impacto ambiental causado pela construção de usinas. A diversidade de animais mantém a Floresta Amazônica viva. Os macacos e aves ajudam na preservação da mata. Num trecho da rodovia Transamazônica, o repórter Ciro Porto acha o ninho do caçula, o menor pássaro brasileiro. E fica frente a frente com a onça-pintada, o maior predador da América do Sul. Outro momento único da equipe durante a expedição foi voar lado a lado com o bando de ararajubas, aves de cores verde e amarelo e que representam bem as cores do nosso país. Nas comunidades ribeirinhas, com a construção de usinas, ficam a preocupação e uma pergunta: qual o futuro dos moradores depois da inundação e barragens?

Programa 688 – Reserva Ameaçada

Parque Nacional da Amazônia

Amanhece na floresta amazônica. O sol, fonte de energia, clareia a vida. Em vários pontos da mata outras fontes brotam da terra. A água surge tímida nas nascentes. Escorre morro abaixo. Devagar, vira riacho. Desliza em ribeirões. Igarapés. Ressurge nos leitos. Irriga e abriga a vida nas mais diversas formas. Se transforma em rios e mostra toda força em corredeiras, cachoeiras. Flui. Mistura. A água é vida, mata a sede, refrigera a alma. E mesmo quando não nos lembramos dela, está bem presente em nosso dia, em forma de energia elétrica que permite o acesso ao computador, por exemplo. Isso se deve na maioria das vezes a força da água que movimenta as turbinas nas usinas hidrelétricas.

Todo rio nasce pequeno, cresce e segue para o mar e se produzir energia, é preciso barrar essa sequência natural. Este é o rio Tapajós, um dos mais bonitos da região Amazônica. No local vai ser construída a usina de São Luiz, uma das 22 usinas previstas para região norte até o ano de 2019. Represar rios com barragens pode trazer desenvolvimento, mas tem dois custos: um econômico e outro ecológico que ninguém consegue calcular. Só a construção desta usina vai alagar parte de uma reserva, o parque nacional da Amazônia.

A construção de usinas nessa região começa nos rios que formam o Tapajós. No Teles Pires estão previstas quatro. No Juruena, cinco. No Tapajós três usinas: Jatobá, São Luiz e Chacorão. E no rio Jamanxim mais quatro. Os reservatórios dessas usinas, se somados, vão ocupar uma área de cerca de cinco mil quilômetros quadrados. Praticamente três vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Áreas de proteção ambiental, de florestas e de dois parques nacionais. A três mil quilômetros do Parque Nacional da Amazônia, uma expedição se prepara em Pirassununga, interior de São Paulo. No Centro de Pesquisas e Conservação de Peixes Continentais, biólogos e outros pesquisadores do instituto Chico Mendes têm uma difícil missão: procurar maneiras de minimizar o impacto ambiental que a construção de barragens vai causar.

A expedição pega estrada ainda de madrugada. Quatro dias de viagem cruzando cinco Estados. No Pará, araras azuis são o sinal da chegada a rodovia transamazônica, única estrada que dá acesso ao Parque Nacional da Amazônia. Estrada que será inundada em vários trechos com a construção da barragem

A chefe do Parque Nacional da Amazônia Maria Lúcia Carvalho revela a agonia “A nossa preocupação maior é ter que desviar o curso da transamazônica e jogar mais pra dentro do Parque, fazer uma nova abertura, nova destruição e novo desmatamento.”

Na base do parque termina a viagem e começa o trabalho. É preciso montar o acampamento e os laboratórios de pesquisa. Não demora, chega um reforço do alto. Enquanto os pesquisadores montam os equipamentos, a equipe aproveita para ter uma visão geral do Parque Nacional da Amazônia, o terceiro maior do Brasil.

De cima é fácil entender porque o Tapajós tem fama de ser o mais bonito rio da Amazônia. No período mais seco o rio revela diferentes belezas. Coleciona ilhas. As áreas de pedras formam centenas de cachoeiras e corredeiras. Cenários em constante mudança. Conforme o nível da água muda, o rio ganha nova aparência. As praias e bancos de areia produzem diferentes tons. Tudo isso com uma moldura especial: o rio se dá ao luxo te der floresta ciliar de ambos os lados. Se não fossem os garimpos de ouro, a água aqui não perderia nunca a cor esverdeada.

Ao sobrevoar o Parque Nacional é possível perceber que o verde se torna mais escuro e aumenta a variedade de tons. E a floresta que se perde de vista, ainda guarda todas as árvores. Algumas com mais de 40 metros de altura. Difícil saber qual olhar primeiro.

A cobertura natural abriga milhares de espécies de bichos. Para conhecer alguns deles mais de perto, o pouso ocorre no parque. Enquanto o helicóptero segue para Itaituba para abastecer, utilizam a rodovia transamazônica, que corta como uma grande cicatriz, cento e setenta quilômetros do Parque. Uma oportunidade para se perceber o equilíbrio e a harmonia da vida selvagem. Um ambiente perfeito e cheio de detalhes.

O caçulinha

Um galho fino com pequenas raízes. Pedaços de teias de aranha e algumas folhas secas. Sujeira? Não. É o resultado de dois dias de trabalho do que vai ser o ninho do menor passarinho do Brasil. Ele é conhecido como caçula. Mede apenas 6,5 cm. É um exemplo de milhares de detalhes, frágeis, que quase ninguém percebe na floresta amazônica.

Para a sorte da equipe, não foi preciso nem percorrer trilhas na mata. O ninho foi encontrado nas margens da transamazônica, de onde foi possível acompanhar o passo-a-passo da construção. Não é uma obra de engenharia, não tem nenhum projeto, mas que engenheiro seria capaz de fazer algo tão engenhoso? Difícil acreditar que um passarinho tão pequeno já nasce sabendo escolher diversos materiais oferecidos pela floresta.

O caçula se mostra um trabalhador incansável. A cada viagem para dentro da mata e no bico vem algo diferente: às vezes folhas maiores que ele. Outras coisas tão pequenas que nem dá pra saber o que. Tudo com alguma função. Grudar, amarrar ou simplesmente enfeitar.

De tão rápido o passarinho lembra uma cigarra voando. Até o barulho das asas é semelhante. E o vai e volta não para. Descanso... Bem, para quem é tão pequeno qualquer coisa incomoda.

Como ele junta tudo e dá forma ao ninho, não dá para perceber, nem mesmo em câmera lenta. Uma vez terminada a coleta e fixação do material, o serviço de acabamento se restringe a abrir a câmara do ninho com o próprio corpo.

O trabalho do pequeno construtor foi acompanhado por cinco manhãs. Bem de perto, foi possível assistir a mais um exemplo da perfeição da mãe natureza, que sempre oferece o que as diversas formas de vida precisam, tenham elas o tamanho que for. E como se não bastasse esse presente, a natureza logo deu outro e dos grandes.

Uma onça vinha pela Transamazônica justamente na direção do grupo, enquanto filmavam o ninho do caçula. A atenção muda de foco totalmente. A onça caminhou em passos calmos e firmes, como soberana da floresta. Mas na estrada soberanos são os caminhões e o barulho de um deles faz o bicho parar. E em instantes o maior felino do Brasil desaparece na mata.

Num mesmo dia observar o menor passarinho do país e o maior predador da floresta é apenas uma mostra, do quanto a Amazônia é sempre surpreendente.

Centro de pesquisas

O menor passarinho do Brasil e uma onça foram duas boas surpresas. Mas enquanto aguardávamos o retorno do helicóptero do aeroporto de Itaituba chega a notícia pelo rádio: o helicóptero que ia se deslocar em direção ao Parque caiu.

Logo após a decolagem, com pouco mais de dois minutos de vôo, o helicóptero caiu num bairro da cidade, num pequeno terreno entre uma igreja e uma casa. Felizmente ninguém se feriu.

Dois dias depois, outro helicóptero chega para apoio a expedição. No meio da floresta, a base do Parque da Amazônia já se transformou num centro de pesquisas. Dois laboratórios, um de genética e outro para o estudo de parasitas estão prontos.

Sá falta um detalhe: para o trabalho nos laboratórios começar foi preciso pescar. O objetivo é coletar o maior número de espécies, desde os peixinhos ornamentais até os grandes bagres. Como o rio é muito extenso, foi necessário identificar os melhores pontos de pesca.

O pesquisador José Augusto Senhorini explica que o objetivo era coletar o maior número de espécies possíveis. Para isso, foi preciso fazer um sobrevôo inicial para tentar identificar e marcar no GPS os principais pontos de ocorrência das espécies.

Do alto fica bem mais fácil identificar os pontos. Corredeiras e cachoeiras são locais de peixes predadores. Nos poços mais profundos, os bagres. Já os igarapés e pedrais são moradas dos peixes ornamentais. Cada ponto identificado tem a posição marcada no GPS.

O próximo rio a ser sobrevoado é o Jamanxim, um grande afluente do Tapajós. A cor da água não deixa dúvidas: é intensa a atividade de garimpos. Rio cheio de pedras de difícil navegação, mas que não exclui o trabalho das pesquisas.

Áreas identificadas, as equipes se dividem. A estimativa é de que no local existam cerca de 400 espécies de peixes. Peixes do tamanho de uma unha. Outros transparentes. Alguns nem mesmo são conhecidos.

Enquanto isso, nas áreas de difícil acesso, os pesquisadores seguem de helicóptero. No Jamaxim, o pouso é sobre as pedras. Com o rio baixo, os peixes acabam presos nos poços mais fundos. E logo um dos maiores bagres do Brasil começa a dar trabalho. Um jau de 21 quilos.

As pesquisas se concentram mais no rio porque as hidrelétricas provocam o maior impacto. A maior parte dos peixes precisa migrar para se reproduzir, os chamados peixes de piracema. Com as barragens, mesmo com a construção de escadas, para a subida dos peixes, muitas espécies não conseguem alcançar a parte de cima do rio. Os peixes de escama são capazes de saltar cachoeiras naturais, mas os peixes de couro procuram canais para subir pelo fundo do rio e alcançar a parte de cima. Essa é uma condição que usina nenhuma consegue reproduzir. O resultado é que muitas espécies ficam condenadas a desaparecer.

Os peixes são transportados ainda vivos para a base de pesquisas. Nos laboratórios os peixes capturados são medidos e pesados. Todos têm amostras retiradas para a identificação por DNA. A partir daí começam os estudo de parasitas. Os microscópios revelam o que os olhos não veêm.

A pesquisadora Sônia Maria dos Santos diz que a preocupação não é com a saúde dos peixes, mas encontrar parasitas. “Os parasitas eles podem ser indicadores de meio ambiente, da qualidade da água e do ambiente. Normalmente encontramos os peixes em boas condições. Mesmo tendo os parasitas, eles vivem em equilíbrio.” O estudo é para que se conhecer que parasitas os peixes têm para mais tarde, ver se a área entrou em desequilíbrio ou não.

Semente da vida

Com um milhão de hectares, o Parque Nacional da Amazônia é uma das reservas mais importantes do país. Ninguém sabe ao certo quantas espécies vivem no local. O trabalho da bióloga Leidiane Diniz foi acompanhado. Ela instala em vários pontos armadilhas fotográficas e já flagrou diversos habitantes da floresta.

Os guias do parque também fotografam tudo o que vêem. Atravessando a Transamazônica, outro registro raro. É o cachorro do mato de orelhas curtas. Uma espécie conhecida, mas do comportamento dele praticamente nada se sabe.

A próxima tarefa não foi tão fácil: o foco eram os macacos. É possível encontrá-los por acaso, ao percorrer as trilhas ou procurar por uma árvore de frutos, já que eles passam o dia todo perambulando de galho em galho atrás de comida.

A atenção fica dividida. É preciso olhar onde se pisa. A quantidade de folhas na trilha pode esconder cobras. Se bem que este é um cuidado para se ter em toda a floresta. Afinal quem disse que as cobras ficam só no chão. Melhor não segurar em nenhum galho.

Os ouvidos ficam a procura de barulho nas arvores. Logo é possível notar um movimento. E para surpresa, bem no alto, um rato selvagem. Pouco mais adiante no solo da mata outro morador da floresta: o jabuti.

O dia sem vento é o aliado, e o balançar de galhos revela um bando de cairaras. Desconfiados olham o tempo todo para gente enquanto comem rapidamente e logo desaparecem. E por falar em rapidez, aparece uma família inteira de saguis de coleira branca. Se deslocam pelas árvores com um habilidade impressionante. E até os adultos que carregam os filhotes nas costas, não conseguem ser lentos. Parecem sempre muito apressados.

A floresta com toda variedade de árvores oferece alimento para todos os meses do ano. Os macacos só precisam procurar. O bando de cairaras ingere sementes que são transportadas e voltam para o solo em outras áreas já adubadas com as fezes. Ou seja, os macacos não sabem, mas ao dispersarem sementes ajudam na renovação da floresta.

Essa dispersão também é feita por várias espécies de aves que regurgitam ou defecam sementes. Algumas sementes só germinam após passar pela digestão nas aves. Esses são exemplos que mostram que as partes sempre colaboram para o todo. A diversidade da vida trabalha sempre pela unidade. Na equilibrada teia da vida todos estão ligados, cada parte depende de outra. Se uma é afetada o efeito segue em cascata. E os humanos não se excluem disso.

O pesquisador Paulo Ceccarelli explica que quando há um barramento, uma quantidade de matéria orgânica muito grande é coberta. Essa sedificação vai fazer desaparecer uma quantidade enorme de espécie de plâncton que serve de alimento para larvas de peixes e outros peixes que se alimentam também de insetos aquáticos, que são vetores de doenças como a dengue, malária e muitas outras.

Ao tirar o plâncton, a quantidade de peixes diminui e a proliferação de mosquitos deve aumentar, fazendo com que muitas doenças chegam à cidade. É a vida equilibrada, mas antes de tudo, sensível.

Moradores locais

Madrugada na Floresta Amazônica. Num alagado, troncos secos parecem sem vida. Na verdade abrigam uma espécie que pode ser considerada a mais brasileira das aves. E quando o dia ainda não é dia e a noite não se foi totalmente, decolam. Assim as ararajubas iniciam o dia.

Evitam os predadores diurnos e noturnos, no momento em que são mais lentas. E, em segundos, desaparecem pela floresta. Fora do período de reprodução, passam o dia inteiro na mata se alimentando. Com o fundo verde da floresta, é só procurar pelo contraste ideal.

Uma hora de voo e nada. No momento do pouso, surpresa: um bando aparece e se divide. Fica registrado o prazer de voar lado a lado com a ave símbolo do Parque Nacional da Amazônia.

Mas vontade maior era de filmá-las mais de perto. E a procura começa pela transamazônica. O guia do parque Gilberto Nascimento da Silva diz que é preciso observar e procurar outras frutas além do murici. Foi preciso esperar um pouco e contar com a sorte. Elas pareciam estar só de passagem.

Mas quem madruga, Deus ajuda. Numa árvore bem alta, um bando descansa. Ao sol brilham como ouro. O amarelo da maior parte da plumagem se contrasta com algumas penas verdes. Não é a toa que é considerada tão brasileira. A ararajuba ou guarouba, é considerada uma espécie vulnerável, só é encontrada numa faixa de floresta entre os estados do Pará e Maranhão.

O que mais chama a atenção nas ararajubas é o comportamento que tem com relação à segurança. Elas escolhem sempre ocos em troncos para construir o ninho e também dormir. Para chegar bem perto do dormitório delas, os cinegrafistas José Ferreira e Pedro Santana se camuflam na mata.

A tarde começa a cair. A família se aproxima, um casal e dois filhotões. E assim como fazem quando decolam, só pousam no lusco fusco. No topo do tronco uma delas fica como sentinela. O bando se aproxima e entra no tronco. Quando parecia que iam dormir, mudam para outro tronco. Só então se abrigam de vez. As cores, verde e amarelo, podem também simbolizar uma questão bem atual. O amarelo quase dourado a energia e o verde, a floresta.

Bem brasileiros também são os moradores do local. Gente que sempre viveu da floresta e do rio. A Vila Rayol é uma pequena comunidade onde vivem 40 pessoas de uma mesma família. Gente de vida simples. Moradores de casas de taipa. Gente que possui a própria escola para poucos alunos. Brasileiros que vivem sem energia elétrica até hoje, mas não trocam essa vida por outra.

Para eles a construção da usina de São Luiz é quase um pesadelo. “O medo da gente aqui, não é do rio secar, não é do rio em si. É dá gente ficar à toa.”, afirmou o pescador Sebastião dos Santos.

Sem energia elétrica, diversas etnias indígenas viveram na região por vários séculos. Ainda hoje existem várias aldeias às margens dos rios Juruena, Teles Pires e Tapajós.

“A gente está preocupado porque não tem para onde ir”, desabafa o índio apiacás Ovídio Pereira. Desses índios muito pouco se conhece da historia.

Assim como as folhas das árvores escondem os pássaros, as folhas secas, mortas no chão, às vezes escondem também a história. Afastando a camada superficial, é possível encontrar terra escura, que os arqueólogos chamam de terra preta arqueológica. Um indicativo de que a área já foi uma aldeia indígena.

É só cavar um pouco para encontrar cacos da história, pedaços de vasos, alguns decorados e outros utensílios. Difícil saber qual etnia indígena que existia no local já que a região tem índios Tapajós, Mundurucus, Caiabís e Apiracás.

Até agora já foram encontrados na região vinte e seis sítios arqueológicos. A construção das barragens vai afetar os índios remanescentes e também a história deles. O chefe substituto do Parna conta que, segundo informações passadas, 90% da área vai ficar debaixo d’água.

Tempo de reproduzir

Na época da seca, as praias do rio Tapajós se transformam em berçários das aves aquáticas. Caminhar no local é como pisar no campo minado. São tantos ovos pelo chão que é preciso tomar cuidado para acabar evitando quebrar um ou outro.

Se os pesquisadores buscam minimizar os impactos da construção de barragens, a vida selvagem sempre tenta, também, resistir.

Segundo o diretor de pesquisa do ICMBio Marcelo Marcelino, os dados que estão sendo coletados irão subsidiar um mapa estratégico das áreas de importância biológica da região. “Não podemos abrir mão do crescimento, nem da conservação do nosso patrimônio de biodiversidade.”

Conciliar desenvolvimento e meio ambiente não é uma tarefa fácil. Como produzir energia sem agredir a floresta? “É fundamental que a gente conheça a nossa biodiversidade. È fundamental também que os empreendimentos sejam planejados de forma responsável com a qualidade e levando em consideração toda essa biodiversidade existente, de forma que o empreendimento aconteça com o menor impacto possível sobre a biodiversidade. As pesquisas continuarão sempre”, conclui o presidente do ICMBio Rômulo Mello.

Talvez ninguém consiga ainda enxergar uma solução para esse impasse. Mas na Amazônia coisas bem difíceis costumam acontecer. Se alguém pedisse a você para encontrar um passarinho com seis centímetros e meio, na floresta amazônica, você acreditaria ser possível achá-lo? Difícil, não é mesmo. Mas a vida surpreende e nos mostra que vivemos num mundo onde as possibilidades são sempre infinitas!  

Agradecimentos:

ICMBio/Cepta  


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O Terra da Gente é exibido também para todo o Brasil, aos domingos, às 7:00h, via antena parabólica (o canal Superstation da Globo) e para 116 países dos 5 continentes pelo Canal Internacional da Globo.  


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COMENTÁRIOS
  • Luiz Castilho Pinto | 17/12/2011

    Ao meu ver como ambientalista e trabalhador da área ambiental, a produção de energia no país sim é necessária pois a demanda de tal torna-se a cada dia mais necessária, mas não podemos por essa necessidade acima das nossas riquezas naturais pois a produção energética pode ser substituídas por outra alternativas ao passo que a destruição ambiental nunca vai repor o ambiente original nem muito menos devolver a biodiversidade local. Por isso digo não a Usina de Belo Monte. Grande abraço a equipe do Terra da Gente que sempre mostra e denuncia esses e outros absurdos que acontece à nossa maior riqueza que é nossa natureza em "ESTADO BRUTO" , meus agradecimentos à vocês, boa semana.
  • Marislene Goto | 17/12/2011

    Gostei muito dessa matéria! Não sou a favor dessa hidrelétrica, pois vai mexer no meio ambiente e, talvez, algumas espécies não sobrevivam. Espero que os pesquisadores consigam ajudar a causar menos danos possíveis à natureza! Eu e meu marido sempre assistimos ao programa, pois amamos saber cada vez mais sobre a natureza. Obrigado!
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